O que aprendi com o papa do Valuation – Damodaran

Valuation não é ciência!

Esta foi uma das primeiras frases do Papa do Valuation, Aswath Damodaran, em sua apresentação na 7ª Conferência Anual da CFA Society Brazil.

Desde o início tive a sensação de que seria uma grande palestra. E, realmente, foi.

Para facilitar a leitura, listarei a seguir os pontos que mais me chamaram a atenção em sua apresentação:

Valuation é artesanal

Ao contrário do que muitos pensam e pregam, Damodaran não acredita que o Valuation de empresas seja uma ciência, já que quase tudo no Valuation de uma empresa pode ser refutado. Porém, ele também não acredita que o Valuation seja uma arte, já que ele pode ser ensinado. Ele compara o Valuation a um ofício artesanal, como cozinhar, ofício este que tem um quê de técnica, um quê de talento, pode ser aprendido e se melhora com a prática.

A melhor maneira de se aprender a fazer Valuation é a prática

Você não vai aprender a fazer o Valuation de empresas apenas estudando e assistindo alguém fazer. Você precisa colocar a mão na massa e fazer você mesmo. Ele sugere que você comece por uma empresa, terminando esta, parta para outra e assim por diante. Sempre se lembrando de revisitar seus casos de tempos em tempos. Ele até brincou que, depois de mais de 25 anos fazendo isso, ele sente que está começando a entender um pouco do negócio.

Histórias e números; números e histórias

Este conceito foi, para mim, o ponto alto da apresentação. Damodaran falou que se você encontra uma empresa com bons números, você deve se concentrar em entender a história por trás dos números para ver se eles são sustentáveis. Se você encontra uma empresa com uma boa historia, então, é hora de se debruçar nos números para ver se eles confirmam esta história. Ou seja, Valuation não é apenas analisar planilhas, nem é também entender apenas muito bem da empresa e seu negócio. É uma junção de ambos.

Planilheiros, cuidado com seus vieses

Ele citou três vieses que atingem as pessoas com cabeça muito numérica:

  1. A ilusão da precisão – se eu tiver mais uma casa decimal neste dado, estarei mais correto;
  2. A ilusão do “não tenho viés” – eu apenas olho para números, logo não sofro de vieses;
  3. A ilusão do controle – se eu entendo o negócio e consigo quantifica-lo, tenho mais controle sobre as coisas.

Contadores de histórias x Cabeças de Planilha

Damodaran disse que, em média, recebe 300 novos alunos em sua turma no MBA da Universidade de Nova York. Cerca de 180 alunos vem das Ciências Exatas, os “cabeças de planilha” ou “number crunchers” como ele os chama. Os outros 120 são de Humanas, os “contadores de histórias” ou “storytellers”. Segundo o professor, é muito mais fácil você ensinar um contador de histórias a analisar números do que um analista de números a entender histórias e criar narrativas.

Segundo ele, estes últimos passaram sua vida inteira esmagando sua criatividade e capacidade de imaginar. Exageros a parte, esta me pareceu uma opinião bem fora da curva, ainda mais quando olhamos para o mercado financeiro e vemos posições mais técnicas sendo ocupadas por engenheiros, estatísticos e matemáticos.

De histórias para números

Finalmente, o Professor Damodaran mostrou seus 5 passos para fazer o Valuation de uma empresa. Vamos a eles:

  1. Desenvolva uma história para a companhia;
  2. Teste a narrativa: ela é possível, plausível e provável?
  3. Converta a narrativa em drivers de valor;
  4. Converta estes drivers em um Valuation;
  5. Mantenha-se aberto ao feedback – submeta seu Valutaion à pessoas que você sabe que pensam diferente de você.

Em resumo, foi uma grande oportunidade ver de perto uma figura muito influente de nossa indústria. O que mais me impressionou foi seu desapago aos pequenos detalhes, como premissas e projeções. Durante vários pontos da apresentação, ele frisou que os números devem passar pelo simples teste de serem: possíveis, plausíveis e prováveis.

Tentar acertar o número não é necessário. Em um trecho da palestra ele ainda afirmou que, quando falamos de Valuation, mesmo que tenhamos todos os inputs corretos, a chance de termos o output correto é zero.

Para mim ficou a mensagem da humildade, de que quando tratamos de investimentos e futuro, não podemos nunca nos enganar de que temos a certeza sobre algo. Devemos investir de acordo com nossas convicções, mas estarmos abertos a novas informações ou opiniões que podem mudar aquilo que originalmente acreditávamos estar certo.

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About Ivens Gasparotto, CFA

CFA, CGA, CNPI-T, é consultor de valores mobiliários credenciado pela CVM. Atualmente, é o sócio responsável pela área de Análise e Alocação da Guide Life Planejamento Financeiro.

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